Lendas brasileiras em torno de alimentos

Muito mais que comida, elas também têm histórias interessantes a contar. Quer se apaixonar ainda mais por delícias como açaí, guaraná e milho? Então vem conferir, porque aqui “comida também é cultura”.

Açaí, mandioca, guaraná e milho: achou que isso era uma lista para o encontro entre amigos no final de semana? Na realidade, unimos esses alimentos para te mostrar que eles podem ser não apenas saborosos, mas também muito interessantes. Eles possuem lendas que contam mais sobre como surgiram. E como sempre é válido saber mais a história por trás de algo bom, vem com a gente conferir as 4 lendas que deram origem a essas maravilhas cheias de sabor.

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– Lenda do açaí:

Há muito tempo atrás, na região da Floresta Amazônica que hoje é a atual cidade de Belém, existia uma tribo indígena que estava passando por sérias dificuldades para alimentar o seu povo. Diante da situação, o cacique Itaki decidiu solucionar esse problema por meio do sacrifício das crianças que nascessem daquele dia em diante, procurando, assim, evitar que faltassem alimentos aos mais velhos.

Porém, a filha de Itaki, chamada Iaçã, deu à luz uma bela menininha. Entretanto, a pequena criança também não foi poupada dos sacrifícios. Devastada pela perda de sua filha e marcada por saudades, Iaçã pediu ao deus Tupã que orientasse seu pai a escolher outra forma que não envolvesse sacrificar crianças para não deixar sua tribo passar fome.

Sendo assim, certa noite Iaçã ouviu o choro de uma criança, e ao seguir o som, encontrou sua pequena filha perto de uma palmeira. Extasiada de felicidade, a índia foi ao encontro da menina, mas ao abraçá-la, a criança misteriosamente desapareceu. Desolada, Iaçã permaneceu ali até ser encontrada, pela manhã, desfalecida e abraçada à palmeira. Ainda assim, aparentava serenidade através de um sorriso nos lábios, e seus olhos se encontravam fixos em pequenas frutas escuras que se encontravam no alto da árvore.

Dessa forma, o cacique Itaki ordenou que pegassem aquelas frutinhas, descobrindo se tratar de uma fruta nutritiva que poderia ser uma boa fonte de sustento para o seu povo, anulando assim o sacrifício das crianças e pondo um fim ao problema de alimentação que enfrentavam. Diante disso, o Itaki homenageou a filha ao nomear a fruta de Açaí – que é Iaçã de trás para frente.

– Lenda da mandioca:

A lenda da mandioca é de origem indígena. Em uma tribo indígena, conta-se que a filha do cacique ficou grávida, decepcionando seu pai que desejava que ela se casasse pura e com um guerreiro, e não que tivesse um filho de um desconhecido. Desolado, certa noite o cacique sonhou com a imagem de um homem que o dizia para acreditar em sua filha e a não puni-la. Sendo assim, a jovem deu à luz uma bela menina de pele muito clara, nomeada Mani.

Mani era uma criança adorada pela tribo, despertando a admiração de todos pela sua alegria. Porém um dia Mani não acordou. Sua morte despertou extrema comoção na tribo, e sua mãe resolveu então enterrá-la na oca onde vivia.

Como fazia todos os dias, a mãe regava a sepultura de Mani com água e lágrimas, até que passou a notar que havia algo estranho: uma planta desconhecida pelos índios passou a brotar no local. Tempos depois, o lugar da sepultura começou a apresentar rachaduras, e, espantada e admirada, a mãe resolveu cavar o local acreditando que sua filha poderia ter ganhado vida novamente.

Mas o que encontrou foram raízes grossas que eram marrom por fora e muito branca por dentro, lembrando a pequena Mani. Ao colherem a raiz, descobriram se tratar de um alimento capaz de saciar a fome de toda a tribo. Em forma de homenagem, nomearam como “mandioca” que significa “Casa de Mani”, nome que se originou da união de “Mani” mais “oca” – local onde a pequena criança viveu.

– Lenda do guaraná:

De acordo com o folclore amazônico, na tribo Maués existia um casal de índios que estavam casados por anos. Desejando completar a felicidade deles com um filho, o casal pediu ao deus Tupã para serem contemplados com o nascimento de uma criança. Tupã, sabendo que o casal era bondoso e querido pela tribo, resolveu atender ao pedido, agraciando-os com um belo menino.

A criança cresceu e se tornou um garoto admirado por toda a tribo pela sua alegria, paz e serenidade. Todas essas características acabaram despertando a inveja de Jurupari, um espírito do mal e da escuridão.

Um dia, o pequeno índio saiu para colher frutos na floresta. Como forma de vingança, Jurupari se aproveitou da situação para ir atrás do garoto: transformou-se em uma serpente venenosa e, com uma picada, levou a criança a morte. Os pais, ao notarem a demora do filho para voltar, pediram que os índios fossem atrás do menino na floresta. Ao encontrá-lo morto, a notícia rapidamente se espalhou, deixando a mãe e o pai desolados e tomados pela tristeza.

No mesmo instante, começou uma tempestade com raios e trovões. A mãe entendeu que aquilo era uma mensagem de Tupã para que ela enterrasse os olhos de seu filho na terra para que ali nascesse uma saborosa fruta. E assim aconteceu, surgindo no local uma planta doce e que muito se assemelhava aos olhos de uma pessoa pela sua semente ser rodeada por uma película branca: o guaraná.

– Lenda do milho:

Reza a lenda que uma tribo indígena estava passando por dias difíceis em sua aldeia: aos rios estavam secos, matando os seus peixes; a caça se tornava cada vez mais complicada com os animais fugindo em busca de água; a terra seca por falta da chuva não permitia o crescimento das sementes.

Diante desse cenário de fome e tristeza, o chefe da tribo se sentiu na responsabilidade de trazer a alegria e dias melhores para seu povo. Sendo assim, o cacique resolveu dar a sua vida ao deus Tupã pela volta das chuvas, das caças, dos peixes nos rios, das sementes que germinariam da terra fértil.

Dessa forma, o cacique deu sua vida pelo povo. Assim como havia ordenado, o chefe da tribo foi enterrado em um local tomado por uma planície quente e verde. Com o passar dos tempos, notaram que, naquele mesmo lugar, nascia uma planta forte, que continham espigas que se tornavam douradas à luz do sol, espalhando-se pela cova onde o cacique havia sido enterrado.

Ao colherem e se alimentarem das espigas, descobriram ser uma planta capaz de saciar a fome e trazer de volta a alegria a tribo. Ela foi nomeada então como “Auati”, nome do cacique, que daria origem ao “milho“, em português, uma planta que surgiu do sacrifício do cacique pelo seu povo.

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